
1013 | Agentes por todo o lado: código, MCP, vendas e vida com IA
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Neste episódio, percorremos as novidades em agentes de IA: ferramentas de código, servidores e infraestrutura MCP, assistentes de vendas e trabalho, e aplicações de conteúdo e dinheiro no dia a dia — com o essencial de cada lançamento e o que pode vir a seguir.
Linha do tempo
- 00:00:04 Abertura
- 00:00:40 Agentes para developers: código, memória e PRs
- 00:04:59 MCP e a infraestrutura dos agentes
- 00:08:44 Agentes que vendem e trabalham por si
- 00:11:45 Conteúdo, notas e dinheiro no dia a dia
- 00:15:10 Encerramento
Links relacionados
- Codemind
- Dropstone CLI
- Base Code
- guilds.run
- Scrape Anything by Context.dev
- Manifold MCP
- Hexis Cloud
- ExcaliClaw
- Milepost
- Cube Forms
- Google EmbeddingGemma 2
- SalesRep.com
- SquadRoom
- Bearconnect 2.0
- Strawberry
- Knocket
- ngram 2.0
- Invited - AI Reminder Scanner
- Kudos 3.0
- Ancher 2.0
- Understory Notes
Este episódio é produzido pela Bri. O Bri usa tecnologia avançada de IA para transformar os feeds importantes para você em podcasts feitos para ouvir. Fale conosco em hi@bri.so.
Transcript
Sofia Almeida: Olá, e bem-vindos ao briefing diário. Eu sou a Sofia Almeida.
Rafael Costa: E eu sou o Rafael Costa. Hoje vamos percorrer os lançamentos das últimas vinte e quatro horas, e há um fio que liga quase tudo: agentes de IA que fazem trabalho real — escrevem código, têm memória, falam com ferramentas, vendem, negoceiam contas.
Sofia Almeida: Exato. E não vamos fazer uma lista de tudo o que saiu. Escolhemos os casos com o problema mais claro, e vamos tratando as descrições dos criadores como aquilo que são: afirmações, não resultados verificados. Começamos pelos developers.
Rafael Costa: Pois. E aqui temos três abordagens diferentes ao mesmo objetivo: delegar código a agentes sem perder o controlo. A primeira chama-se Codemind. A ideia é um agente de código que delega tarefas através do MCP — este protocolo que vamos voltar a encontrar várias vezes hoje. O modelo de negócio é o que mais salta à vista: dez cêntimos por build verificado, builds falhados de graça, e cem builds grátis no primeiro mês.
Sofia Almeida: Esse preço por build verificado é interessante, porque desloca o risco. Se o agente se engana, o custo é dele, não teu. Isso diz-nos que confiam no produto — mas é também uma afirmação do criador, não um resultado que alguém tenha medido por nós. A pergunta óbvia é: o que conta exatamente como "build verificado"? Se os critérios forem frouxos, os dez cêntimos compram menos do que parecem.
Rafael Costa: Para quem é isto? Para equipas pequenas que não querem contratar mais uma pessoa só para tarefas de código repetitivas, e que preferem pagar por resultado do que por licença mensal. É uma mudança de modelo, quase como contratar a tarefa em vez de contratar a ferramenta.
Sofia Almeida: A segunda abordagem é bem diferente. É o Dropstone CLI, um agente de código que vive no terminal e que aprende consigo — mantém memória entre sessões. Ou seja, não recomeça do zero cada vez que abres a linha de comandos; lembra-se do teu projeto, das tuas decisões.
Rafael Costa: E aí está uma das grandes incógnitas de hoje: como é que essa memória persistente se comporta a longo prazo? Memória em agentes de código pode ser uma mais-valia enorme ou pode acumular erros — se o agente aprende algo errado na sessão um, e leva isso para a sessão dez, o problema compõe-se. O plano grátis existe, e os pagos vão dos cinco aos cento e cinquenta dólares, portanto é barato experimentar.
Sofia Almeida: E a terceira abordagem é o Base Code, que ataca o problema por outro lado. Em vez de um agente autónomo, é um espaço de trabalho no browser para repositórios GitHub que já existem. Fazes alterações em linguagem simples, o trabalho acontece em branches isolados, tens pré-visualizações ao vivo, e no fim o resultado é um pull request normal.
Rafael Costa: Esse último ponto é o mais importante. Muitos produtos de código com IA geram diffs exóticos ou fluxos proprietários. O Base Code diz: o produto final é um PR convencional, que passa pelo vosso processo de revisão existente. Isso é uma resposta direta à pergunta do controlo — o humano mantém-se no circuito pela via que já conhece.
Sofia Almeida: E quando pões os três lado a lado, a comparação fica clara: a Codemind aposta no preço por resultado, o Dropstone na memória acumulada, o Base Code na integração com o fluxo de trabalho que já tens. Todos respondem à mesma coisa — como delegar sem perder a supervisão — mas cada um escolhe um mecanismo de confiança diferente.
Rafael Costa: E há um contexto comunitário interessante aqui: o guilds.run, que é open-source, permite equipas de múltiplos agentes com inspeção completa — consegues ver os prompts, as chamadas às ferramentas, a memória. Tudo à vista. E há um Studio que redige correções. É self-hosted e grátis. Não é um agente de código em si, mas vai na mesma direção: se vamos confiar trabalho a agentes, as pessoas querem poder espreitar lá dentro.
Rafael Costa: Essa exigência de transparência é crítica para todo o setor, e é provavelmente o que vai decidir a concorrência que se avizinha — porque a certeza que temos é que a guerra vai ser por preço e por confiança.
Sofia Almeida: E há um quarto produto que se encaixa nesta conversa para developers: o Scrape Anything da Context.dev. Uma única API que apanha qualquer URL e devolve Markdown, HTML, screenshots ou dados estruturados. Eles afirmam uma taxa de sucesso de noventa e nove vírgula nove e seis por cento, e dão mil créditos grátis para experimentares. Para agentes de código que precisam de ir buscar contexto a páginas web, este tipo de API é um dos tijolos.
Rafael Costa: Pois, e esse tijolo leva-nos naturalmente ao que vem a seguir. Porque o MCP — o protocolo que a Codemind usa para delegar — está a tornar-se a camada comum entre modelos e ferramentas. E hoje houve um punhado de lançamentos que mostram isso em áreas completamente diferentes.
Sofia Almeida: O primeiro é o Manifold MCP. É um MCP hospedado que dá aos agentes dados ao vivo: SEO, respostas de IA, redes sociais, anúncios, Reddit, leads. Quinhentos créditos grátis e depois pagas por chamada.
Rafael Costa: O que isto muda é simples: até agora, se querias que um agente razoasse sobre dados de marketing, tinhas de os ir buscar à mão. Com isto, o agente pergunta e recebe. É infraestrutura invisível, mas é o tipo de coisa que decide se um agente é útil ou um brinquedo.
Sofia Almeida: A seguir, algo ainda mais ambicioso: a HexiCloud, da Hexis, que se descreve como um "cérebro de empresa" hospedado para agentes. Contexto partilhado, skills, e um único gateway MCP. Grátis até três pessoas, depois dez euros por pessoa por mês.
Rafael Costa: Aqui a aposta é que os agentes das equipas não devem viver isolados — partilham o mesmo contexto, as mesmas competências, e passam todos por um ponto único de acesso às ferramentas. É um modelo tipo SaaS para a memória organizacional da IA. A pergunta que fica no ar, e que os próprios números levantam: quanto contexto partilhado é que as equipas realmente precisam?
Rafael Costa: Há equipas onde o contexto partilhado é o produto, e equipas onde cada pessoa trabalha de forma tão diferente que um cérebro comum não serve de grande coisa.
Sofia Almeida: Depois há o ExcaliClaw, que é mais divertido: um espaço de trabalho de diagramas desenhados à mão — aquele estilo Excalidraw — com um servidor MCP para o Claude e o Cursor. Ou seja, o teu agente de código consegue ler e manipular os teus diagramas. Duzentos desenhos grátis e uso ilimitado de IA, com pagos a partir de nove euros por mês.
Rafael Costa: Pode parecer pequeno, mas é exatamente o padrão: qualquer ferramenta de trabalho que já usas, quando ganha um servidor MCP, passa a fazer parte do universo do agente. E mais um exemplo disso mesmo: o Milepost, um diário de condução para iOS — com o conceito de Roadbooks — que também tem servidor MCP para o ChatGPT e o Claude. Gravar é grátis, o Pro custa vinte e nove dólares e noventa e nove por ano, e há uma oferta FIRSTDRIVE a catorze dólares e noventa e nove.
Sofia Almeida: Um diário de condução ligado por MCP... é o sinal de que o protocolo já chegou ao consumidor comum, não só aos developers. E dentro desta camada de infraestrutura há ainda o Cube Forms, que é grátis: formulários "agent-native", que os agentes conseguem preencher por MCP ou HTTP, sem browser nem CAPTCHA. E os humanos podem abrir o mesmo link e rever. De novo o mesmo desenho: o agente faz o trabalho, o humano mantém um ponto de revisão.
Rafael Costa: E um pilar desta infraestrutura vem da Google: o EmbeddingGemma 2, um modelo aberto de setenta e quarenta milhões de parâmetros, multimodal — texto, imagem, vídeo, áudio — pensado para correr no dispositivo, sob licença Apache dois ponto zero.
Sofia Almeida: Este importa porque os embeddings são a forma como os agentes encontram e organizam conhecimento. Se podes correr isso no dispositivo, de forma aberta, muda o custo e a privacidade de construir memória para agentes. Combina bem com a HexiCloud: um é a memória hospedada, o outro é a memória que podes ter localmente.
Rafael Costa: Ok. Com a infraestrutura posta no sítio, os agentes começam a fazer trabalho de verdade. E o trabalho mais concreto de todos é vender.
Sofia Almeida: Exato, e aqui temos três produtos muito diferentes. A SalesRep.com coloca um representante de vendas de IA dentro do WhatsApp, Instagram e outras plataformas, com preços ao vivo, orçamentos e follow-ups. Trinta e mais línguas, e desde trinta e nove dólares por mês.
Rafael Costa: Isso muda algo concreto: para um negócio pequeno, responder em WhatsApp a dois da manhã numa língua que não falas, com o preço certo e um orçamento feito — isso era impossível sem uma equipa. A afirmação dos criadores é que isto funciona logo à partida; o que não sabemos, claro, é a qualidade real dos resultados sem supervisão humana. Um representante de vendas que responde mal pode custar clientes.
Sofia Almeida: A segunda abordagem é o SquadRoom, e é divertido porque é de um cofundador da SpeedVitals. A ideia: agentes-funcionários que completam tarefas. Trazes a tua própria chave de IA — pagas quarenta e nove dólares por mês pelo sistema — e nada é enviado sem aprovação.
Rafael Costa: Duas escolhas de design dignas de nota. Primeiro, trazer a tua própria chave significa que o custo do modelo é teu e transparente, e o fornecedor não te está a revender tokens. Segundo, o "nada sai sem aprovação" é mais uma vez a resposta à questão do controlo: autonomia interna, supervisão externa.
Sofia Almeida: E a terceira vai para o mundo do LinkedIn: o Bearconnect dois ponto zero, que combina conteúdo gerado com IA e outreach dirigido às pessoas que interagem contigo, com workspaces de equipa e acessos por papel. É vendas e marketing num produto só, pensado para equipas e não para indivíduos.
Rafael Costa: E à volta destes, dois suportes que mostram onde esta corrente está a ir. O Strawberry é um browser — app para Windows — com agentes de IA embutidos que trabalham dentro de abas onde já tens sessão iniciada. E os agentes podem ser partilhados entre equipas. Pensa nos agentes que vendem: em vez de chamarem APIs, operam como um colega dentro do browser, nas ferramentas onde as equipas já trabalham.
Sofia Almeida: E o Knocket, da Tencent RTC, é grátis: um widget de chat para a página de contacto de um site que envia as mensagens para o Telegram, com um agente de IA que responde com base nos teus documentos. É a versão minimalista do que a SalesRep faz — e mostra o espetro: desde um widget gratuito que encaminha mensagens até um representante de vendas completo por trinta e nove dólares.
Rafael Costa: A grande incógnita comum a tudo isto é a qualidade real dos resultados sem supervisão humana — e a aposta mais plausível para o que vem a seguir é a adoção por PMEs, precisamente porque estes preços, de trinta e nove ou quarenta e nove dólares por mês, são do tamanho de uma PME e não de uma multinacional.
Sofia Almeida: E dos agentes que vendem passamos aos agentes e ferramentas que nos poupam tempo no dia a dia — no conteúdo e no dinheiro. Aqui temos três lançamentos fortes. O primeiro é o ngram dois ponto zero: transformas papers, apresentações ou gravações em vídeos explicados com narração. Escolhes o público e a profundidade — Overview, Detalhado ou Compreensivo.
Rafael Costa: Essa escolha de profundidade é o detalhe que interessa, porque o mesmo material serve propósitos diferentes: para a equipa queres detalhe, para o cliente queres visão geral. Não é só "transformar em vídeo"; é transformar com um leitor em mente.
Sofia Almeida: O segundo é mais prático ainda: a Invited. É um scanner de IA que transforma faturas, convites e cheques em lembretes no teu calendário. Encontra várias datas no mesmo documento, suporta mais de oitenta línguas e nove calendários, e não precisa de registo.
Rafael Costa: Sem registo é um bom sinal de confiança no produto. E o caso de uso é universal: aquela fatura que chega por email, o convite de casamento com três datas diferentes em três sítios, o cheque com prazo. A incógnita óbvia é a precisão — encontrar datas é fácil; encontrar as datas certas, no contexto certo, é outra conversa. Como tudo o que hoje descrevemos: afirmação do criador até alguém testar.
Sofia Almeida: E o terceiro toca diretamente na carteira: o Kudos três ponto zero. É uma app que ativa ofertas do teu cartão — eles estimam cerca de oitocentos dólares por ano — negocia as tuas contas, com uma estimativa de duzentos e dezasseis dólares por ano, e cancela subscrições esquecidas, cerca de duzentos e quarenta e sete dólares por ano. E a parte que mais importa: o utilizador fica com cem por cento.
Rafael Costa: Esse "ficas com cem por cento" é o modelo contrário do que se vê normalmente neste espaço, onde apps de negociação ficam com uma percentagem das poupanças. Se o modelo deles for outro — subscription, publicidade, o que for — não está claro na informação disponível, e isso é uma pergunta legítima a fazer. Mas a proposta é clara: dinheiro que as pessoas já perdem por inércia, recuperado automaticamente.
Sofia Almeida: E três suportes para fechar este tema, todos na linha de gerir e transformar material que já tens. O Ancher dois ponto zero guarda os artigos, vídeos e publicações que guardaste, deixa pesquisar por descrição vaga — descreves à solta o que lembras — e transforma-os em briefings e posts para agentes usarem.
Rafael Costa: Ou seja, a tua pilha de "guardo para depois" passa a ser matéria-prima para a IA. Depois há as Understory Notes, uma app de Mac para notas pensadas para escrita, com uma ideia interessante: subnotas multi-pai, ou seja, uma nota pode viver em vários sítios ao mesmo tempo e formar esbloços. Publicas em PDF, Markdown ou web, e é compra única — nada de subscrição, o que se nota porque quase tudo o resto hoje é mensal.
Sofia Almeida: E por fim, voltamos ao Scrape Anything, que já mencionámos no contexto dos developers — e é por isso que ele aparece nos dois sítios: é infraestrutura para agentes, mas também é a ferramenta que transforma qualquer página em material de trabalho, em Markdown ou dados estruturados, com mil créditos grátis.
Rafael Costa: Bom, recapitulemos o dia sem fazer lista catálogo. A história de hoje tem três capítulos que se encaixam: o MCP e a memória tornaram-se infraestrutura — da Codemind que paga por build verificado à HexiCloud com o cérebro de empresa, passando pelo EmbeddingGemma da Google. Com essa infraestrutura, os agentes passaram de assistentes a trabalhadores: vendem no WhatsApp, completam tarefas no SquadRoom, tudo com aprovação humana nos pontos críticos.
Sofia Almeida: E no dia a dia, o dinheiro e o papel: o Kudos a recuperar subscrições esquecidas, a Invited a transformar faturas em lembretes, o ngram a transformar papers em vídeo. Os criadores dizem que funciona; os próximos meses dirão se a qualidade sem supervisão acompanha a promessa — e essa é a pergunta que fica a todos os produtos de que falámos hoje.
Rafael Costa: E fica também a dos developers: quem ganha, o preço por resultado ou a memória persistente? Digam-nos nos comentários qual destas três apostas de código escolheriam. Obrigado por nos ouvirem — eu sou o Rafael Costa.
Sofia Almeida: E eu sou a Sofia Almeida. Até amanhã, para o próximo briefing.