
0902 | Agentes por todo lado: do terminal ao bolso
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Um giro rápido pelo melhor das últimas semanas: agentes de código no terminal, no IDE e no celular, IA por voz e telefone, criação de vídeo e música, preços e segurança de GPU/modelos, e apps e hardware curiosos.
Linha do tempo
- 00:00:04 Abertura
- 00:00:45 Codificar com agentes: terminal, IDE e celular
- 00:04:14 IA na voz: gravar chamadas e atender telefonemas
- 00:06:06 Agentes com o cliente e entre si
- 00:07:47 Criar com IA: vídeo, música e aulas em minutos
- 00:10:44 Preços, routers e chaves: a infraestrutura de confiança
- 00:13:39 Hardware e apps que mudam o dia a dia
- 00:16:31 Encerramento
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- Kilo Code for JetBrains
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- Murmell
- Tovel AI
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- Cosmic Agent Plugins
- Impractical
- Happy Shrimp
- Gauth AI Course
- Creatium Coach
- Computable GPU Index (CGI)
- TrustedRouter
- BobVault for BobCLI
- EAS Observe
- Sourclip 2.0
- Sider Code
- Folio
- Notchling
- nOS4
- ARC-24 Multitrack Groovebox for iOS
- WaseiGo
Este episódio é produzido pela Bri. O Bri usa tecnologia avançada de IA para transformar os feeds importantes para você em podcasts feitos para ouvir. Fale conosco em hi@bri.so.
Transcript
Sofia Almeida: Olá, bem-vindos a mais um briefing diário de lançamentos de produto. Eu sou a Sofia Almeida.
Rafael Costa: E eu sou o Rafael Costa. Hoje vamos falar do que apareceu nas últimas vinte e quatro horas, e há um fio que liga quase tudo: agentes de IA a sair da caixa de chat e a ir trabalhar para onde o trabalho realmente acontece — o terminal, o IDE, o telemóvel, o telefone, o browser.
Sofia Almeida: E quando não são agentes, são ferramentas que mudam o dia a dia — do gimbal dentro de um telemóvel a um canal de TV cabo feito com os teus próprios ficheiros. Mas vamos começar pelo código, porque foi aí que o padrão apareceu mais claro.
Rafael Costa: Pois. Olha, o Nodeterm é talvez a ideia mais interessante deste lote: em vez de teres agentes de codificação numa sidebar do editor, ele põe cada agente como um nó num canvas infinito. Cada nó é uma sessão tmux.
Sofia Almeida: E aí está a parte que interessa: as sessões são persistentes. Reinicias a máquina, voltas, e tudo está lá. Podes retomar por SSH ou continuar do telemóvel. Ou seja, o agente não morre quando fechas o portátil.
Rafael Costa: Isso muda o modelo mental. Hoje, quando fechamos o laptop, um agente em execução é geralmente um problema. Aqui, a sessão é tratada como algo que vive no servidor, e tu apenas te ligas a ela de onde estiveres. É mais perto de como tratamos servidores do que de como tratamos assistentes.
Sofia Almeida: Mas o Nodeterm é uma abordagem de terminal. O Kilo Code vai pelo caminho oposto — o IDE nativo. É um plugin open-source para JetBrains, e o que me pareceu mais concreto são duas coisas: agentes paralelos que correm em worktrees isolados, e revisão de pull requests e diffs dentro do próprio IDE.
Rafael Costa: Os worktrees isolados são o detalhe técnico que faz isto funcionar a sério. Se vais lançar três agentes em paralelo no mesmo repositório, sem isolamento eles pisam-se uns aos outros. Com worktrees separados, cada um trabalha no seu ramo do código sem interferir nos outros, e tu integras o que fizer sentido.
Sofia Almeida: E a revisão de PRs dentro do IDE significa que o ciclo fica fechado: lançaste agentes, eles trabalharam, tu revisões o resultado no mesmo sítio onde escreves código. Não estás sempre a saltar entre o GitHub e o editor. E suportam mais de quinhentos modelos, o que evita ficar preso a um fornecedor.
Rafael Costa: Depois há o Superset Mobile, que leva a mesma lógica para o bolso. Lanças tarefas de codificação do telemóvel, vês o progresso, revês diffs, e o telemóvel avisa-te quando precisam de ti. E sincroniza com os teus espaços de trabalho de desktop ou remotos.
Sofia Almeida: Aqui vale a pena fazer uma pausa e perguntar: para quem é isto, realmente? O Superset Mobile não é para escrever código no ecrã de seis polegadas. É para a pessoa que já tem agentes a trabalhar e quer supervisioná-los na fila do pão ou no café. O papel muda de quem escreve para quem aprova.
Rafael Costa: E o Naseem fecha este grupo por dentro do macOS: um agente nativo em Swift, sem Electron, que usa ficheiros, terminal e o simulador de iOS. O argumento do nativo é duplo — pegadas mais leves e integração melhor com o sistema, o que para um agente que precisa de aceder ao terminal e ao simulador faz diferença real.
Sofia Almeida: O que têm todos em comum é isso: o agente deixa de ser uma janela de chat e passa a viver onde o trabalho acontece. Mas note-se que tudo isto são descrições dos próprios autores. Nenhum destes produtos traz ainda evidência de como escala em equipas reais — com dez pessoas, permissões, repositórios partilhados, código de produção. Isso fica por demonstrar.
Rafael Costa: E eu acrescento: a gestão de memória e conflitos entre agentes ainda é um problema em aberto. Há inclusive um produto que ataca exatamente isso, o Murmell, que temos de falar mais à frente. Mas antes disso...
Sofia Almeida: ...se os agentes trabalham onde estamos, a próxima pergunta natural é: e se falarem? Porque a voz é o próximo terreno. E há duas abordagens muito diferentes aqui.
Rafael Costa: A primeira é o Tovel AI. É um gravador de chamadas com IA que converte a chamada em registos de CRM, tarefas pendentes e rascunhos de emails de follow-up. A integração é profunda, sem passar por Zapier. E têm hardware próprio em pré-venda a noventa e nove dólares.
Sofia Almeida: O detalhe que me parece mais importante no Tovel é que tudo o que a IA produz tem de ser aprovado antes de ser enviado. O rascunho de email não sai sozinho. O registo de CRM não entra sem olhar humano. É IA como assistente de escrita, não como substituto.
Rafael Costa: Isso contrasta diretamente com o ThunderPhone, que é o outro extremo: uma plataforma self-service de agentes telefónicos que atendem chamadas. Dois cêntimos por minuto com o modelo incluído, o que é agressivo como preço. Dizem atingir noventa e nove vírgula quatro por cento no benchmark Big Bench Audio, com quarenta e sete idiomas, usando fusão de vários modelos para melhorar a precisão.
Sofia Almeida: E aqui está o ponto de tensão da conversa: aprovação humana contra autonomia total. O Tovel diz "a IA escreve, o humano aprova". O ThunderPhone diz "o agente atende o telefone sozinho". São filosofias diferentes sobre o mesmo problema.
Rafael Costa: Sobre o número de noventa e nove vírgula quatro por cento, vale a pena dizer o óbvio: é um benchmark, não uma chamada real. Um benchmark de áudio é limpo, controlado. Chamadas reais têm ruído, sotaques, interrupções, pessoas que falam baixo. Como isto se porta num atendimento real com má qualidade de linha — isso ninguém sabe ainda, e é a pergunta certa a fazer.
Sofia Almeida: E há um produto de apoio que liga as duas filosofias: o Keiki. É um agente voltado para o cliente que corre em simultâneo em SMS, iMessage, WhatsApp, Slack, Telegram e email — com memória, ferramentas e, outra vez, mecanismo de aprovação humana.
Rafael Costa: Repara no padrão: mesmo o agente que fala diretamente com o cliente em seis canais mantém a alavanca de aprovação. Parece que o mercado está a concluir que autonomia total em contacto com clientes é demasiado arriscado por agora.
Sofia Almeida: E para sustentar isto tudo, do lado interno, há o Murmell. É uma cloud canvas partilhada para agentes: memória unificada entre eles, restauro exato do ambiente depois de fechares o portátil, e reservas de ficheiros para evitar que dois agentes trabalhem no mesmo sítio ao mesmo tempo. Com colaboração em tempo real.
Rafael Costa: Isto é a infraestrutura que os agentes de codificação que falámos no início precisam. Se tens vários agentes a correr, em várias sessões, a memória tem de ser partilhada e os conflitos têm de ser geridos. O Murmell ataca exatamente o buraco que o Nodeterm e o Kilo Code deixam aberto.
Rafael Costa: E há também os Cosmic Agent Plugins: em vez de montares o teu agente peça a peça, cada plugin traz o servidor MCP oficial do fabricante mais skills e slots de tokens num só pacote — para operares GitHub, Stripe e outros com ferramentas reais. Já está disponível.
Sofia Almeida: Então resumindo este bloco: o agente como interface multicanal para o cliente, e a infraestrutura de memória e ferramentas que o sustenta. Agora vamos ao lado criativo, porque é onde a coisa fica espectacular.
Rafael Costa: Impractical. O nome é ótimo, mas o que faz é sério: motion design com IA. O agente liga-se através de MCP e gera vídeos de nível After Effects. De prompt a vídeo final, dizem que leva cerca de vinte minutos. E depois podes修改 com linguagem natural — dizes "torna isto mais lento" ou "muda a cor" e o vídeo é ajustado.
Sofia Almeida: Vinte minutos de prompt a peça final. Um vídeo de motion design profissional levaria dias com um especialista. Isso é a categoria de "produção reservada a especialistas, agora instantânea". E a integração via MCP significa que o agente usa as ferramentas reais, não um formato proprietário fechado.
Rafael Costa: No som, a Alibaba lançou o Happy Shrimp, um gerador de música com IA que cria canções completas a partir de uma ideia: letra, melodia, arranjo e voz. E há flexibilidade — podes trazer a tua própria letra ou pedir só instrumental.
Sofia Almeida: E no ensino, o Gauth AI Course transforma qualquer matéria num curso interativo. Têm mais de duzentas aulas de matemática do secundário americano já incluídas, da Álgebra I até AP Cálculo, com quizzes e um tutor de IA a quem podes fazer perguntas a meio da aula. Isso último é a diferença real em relação a um vídeo gravado — o tutor está lá e pode ser interrompido.
Rafael Costa: E há mais um produto de apoio que merece nota, o Creatium Coach: um treinador multimédia com IA, onde podes escolher um cenário — literalmente há um mundo de Aristóteles — e ele gera simulações e dramatizações orientadas aos teus objectivos. E aqui há uma referência académica interessante: citam um efeito g de zero vírgula quarenta e oito em estudos aleatorizados, acima da média de zero vírgula três sete do ensino presencial.
Sofia Almeida: Tem de se ler com cuidado — g é uma medida de efeito, e zero vírgula quarenta e oito é moderado, não milagroso. Mas é mais rigor do que normalmente se vê em marketing de produto educativo. Agora, em todo este bloco criativo há duas questões em aberto que não podemos fingir que estão resolvidas: qualidade consistente e direitos de autor.
Sofia Almeida: Quando uma IA gera uma música completa com voz, ou um vídeo ao nível de After Effects, quem detém quê, e a qualidade aguenta comparação com um profissional em todos os casos? Isso ainda não está respondido.
Rafael Costa: E se a IA também ensina e avalia, como no Gauth, entra mais uma camada: a fiabilidade pedagógica. Um tutor que interrompe a aula é ótimo se acerta e péssimo se ensina mal. Mas, voltando ao fio — toda esta produção criativa consome GPU, e GPU custa dinheiro. O que nos leva a uma pergunta que pouca gente faz: quanto custa isto, afinal?
Sofia Almeida: E é aqui que entra o CGI, que talvez seja o lançamento mais "sério" do dia. É o primeiro índice open-source de preços de GPU em dólares por hora. Dados de vinte e oito fornecedores, atualizados a cada quinze minutos, com metodologia verificável.
Rafael Costa: A palavra-chave é verificável. O mercado de GPU é notoriamente opaco — cada fornecedor publica o que quer, com descontos que não aparecem em lado nenhum. Um índice público com método aberto muda a dinâmica: em vez de "confia em mim, é barato", há números comparáveis. Para quem vai construir sobre estes serviços, é poder de negociação.
Sofia Almeida: Depois, o TrustedRouter ataca o lado da confiança na execução. É uma API compatível com OpenAI que expõe mais de seiscentos modelos de mais de noventa fornecedores. O diferencial é o gateway atestado, sem registos de prompts — e é open-source. Ou seja, queres usar sessenta modelos sem dar a nenhum deles o contexto do teu negócio, e sem ter de confiar cegamente numa caixa preta.
Rafael Costa: O gateway atestado é o detalhe técnico importante: "atestado" significa que há prova verificável de que o gateway corre o código que diz correr, em vez de uma promessa. Combinado com open-source, é verificável por quem sabe olhar.
Sofia Almeida: E o BobVault fecha o ciclo: backup em linha de comandos, zero-knowledge, em parceria com a AWS. O código-fonte, as configurações e o contexto de IA são encriptados localmente, e a chave nunca sai da tua máquina. Na cloud só vai texto cifrado.
Rafael Costa: Zero-knowledge significa literalmente que nem o fornecedor consegue ler o que backed up. Se a AWS for comprometida, ou se o BobVault for obrigado a entregar dados, o que eles têm é cifrado inútil. É o mesmo princípio do TrustedRouter aplicado a dados: controla o que expões.
Sofia Almeida: Há ainda dois produtos de apoio que se encaixam aqui. O EAS Observe, para monitorização de performance em Expo e React Native: mede tempos de arranque e disponibilidade por ecrã em dispositivos reais, e marca cada build e cada atualização OTA separadamente — o que é essencial para perceberes se é a tua nova versão ou a nova versão do sistema operativo que tornou a app lenta. Tem um plano gratuito com cem mil eventos por mês. E o Sourclip 2.
Sofia Almeida: 0 é uma extensão de Chrome para o NotebookLM, com captura em massa, fusão de notebooks e exportação, a vinte e quatro dólares por ano no plano Pro.
Rafael Costa: O tema comum deste bloco é saber o que pagas e controlar o que expões. Transparência de preços, verificação de execução, encriptação local. São os alicerces para confiar em todo o resto de que falámos. Agora vamos à parte divertida — hardware e apps que mudam o dia a dia.
Sofia Almeida: O HONOR Robot Phone é o hardware mais ambicioso do lote. Um telemóvel de bandeira com um gimbal de titânio de quatro graus de liberdade integrado no corpo, que move fisicamente a câmara principal de duzentos megapixéis. Isto permite estabilização real, seguimento de sujeitos e filmagens autónomas — a câmara aponta-se a si mesma.
Rafael Costa: E o número impressionante: nove vírgula seis milímetros de espessura. Encaixar um mecanismo mecânico móvel num corpo tão fino é um desafio de engenharia considerável. A câmara que se move fisicamente resolve o problema que a estabilização eletrónica só disfarça — corte de imagem, perda de qualidade.
Sofia Almeida: No extremo oposto, e quase como piada mas funcional, está o ChannelOS: uma aplicação Windows local-first e open-source, sob licença MPL 2.0, que transforma a tua biblioteca de media em canais de TV a cabo. Com guia de programação, vídeo a pedido, e suporte a comandos de jogos. É a experiência da TV clássica — deitares-te no sofá e ver o que dá — aplicada aos teus próprios ficheiros.
Rafael Costa: E há uma série de pequenos utilitários que valem menção rápida mas merecem ser nomeados. O Sider Code é uma extensão de browser onde descreves em linguagem natural o que queres mudar numa página web, a IA entende a página, escreve o código, e a funcionalidade fica guardada com interruptor para ligar e desligar. Está grátis durante os primeiros três dias.
Rafael Costa: O Folio agrega separadores, RSS e newsletters de email e transforma-os numa revista com índice, entregue em PDF ou EPUB no reMarkable ou Kindle, por cinco dólares por mês. Isso é uma resposta real ao problema de lermos em ecrãs de má qualidade.
Sofia Almeida: E para fechar no espírito lúdico: o Notchling é uma criaturinha que vive no notch do MacBook e segura ficheiros que lhe arrastas. Grátis, menos de um megabyte, e nada sai do teu Mac. É um brinquedo, mas um brinquedo bem executado. Há também o nOS4, que recria o iOS 4 completo no browser, com aplicações e jogos a funcionar — o autor descreve-o honestamente como projeto pessoal de nostalgia.
Sofia Almeida: E o ARC-24 é uma groovebox de oito pistas para iOS, com escala bloqueada para tocares sem notas erradas, sintetizador, sampler, drum machine e loops — sete dias de teste e depois nove dólares e noventa e nove numa compra única, sem subscrição, o que num mercado de tudo-em-assinatura é refrescante.
Rafael Costa: E há ainda o WaseiGo, que ensina mais de mil wasei-eigo — palavras japonesas que parecem inglês mas têm outro significado. Cinquenta grátis, compra única. É nicho, mas é o tipo de produto que só alguém apaixonado faz.
Sofia Almeida: Pois. E assim chegamos ao fim do briefing de hoje. Se tens de retirar uma coisa disto tudo, é esta: os agentes deixaram de ser chat. Vivem no terminal com sessões persistentes, no IDE com worktrees isolados, no telemóvel, no telefone, no browser — e a infraestrutura de memória, preços transparentes e chaves locais está a ser construída à volta deles.
Rafael Costa: E as perguntas que ficam em aberto são as boas: como escala isto em equipas reais, como se portam agentes de voz em chamadas verdadeiramente ruidosas, e quem detém o quê quando a IA cria. Obrigado por nos ouvires, eu sou o Rafael Costa.
Sofia Almeida: E eu sou a Sofia Almeida. Até amanhã, com mais lançamentos.