
0829 | Juiz: blacklist da Anthropic ilegal; Cursor pós-SpaceX; Luanti removido; rumor de bug
Show notes
Neste episódio, os apresentadores comentam as principais discussões da semana no Hacker News. O programa abre com a remoção do Luanti da Google Play após uma notificação DMCA alegadamente infundada apresentada em nome da Microsoft, e segue para a decisão da OpenAI sobre o Cursor após a aquisição pela SpaceX e a decisão judicial que considerou ilegal a inclusão da Anthropic na lista negra do Pentágono. Na sequência, são debatidos o lançamento de pesos abertos do GLM-5.3, a crescente onda de relat
Linha do tempo
- 00:00:00 Abertura
- 00:00:53 Luanti removido do Google Play por alegação de direitos autorais
- 00:02:41 OpenAI explica sua decisão sobre o Cursor após a aquisição pela SpaceX
- 00:03:17 Juiz derruba inclusão da Anthropic na lista negra do Pentágono
- 00:03:48 GLM-5.3 com pesos abertos
- 00:05:42 Só o boato de um bug já basta para encontrar um exploit
- 00:06:19 Nono Circuito fica ao lado dos estados contra a Kalshi
- 00:08:05 Sanções dos EUA ao coletivo A/I, mantenedor do noblogs.org
- 00:09:42 HTTPX2: o cliente HTTP de próxima geração para Python
- 00:10:21 Inicializando um iPhone virtual com o Virtualization.framework
- 00:10:51 Pequenos reatores modulares: promessa e limites
- 00:12:50 GUIs deveriam ser totalmente dirigidas por teclado
- 00:14:30 "Funciona melhor no aplicativo"
- 00:15:03 A Lista de Reis Sumérios e os eventos de paleoclima
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Este episódio é produzido pela Bri. O Bri usa tecnologia avançada de IA para transformar os feeds importantes para você em podcasts feitos para ouvir. Fale conosco em hi@bri.so.
Transcript
Sofia Almeida: Bem-vindos ao Hacker News diário, na Bri Radio. Eu sou a Sofia Almeida.
Rafael Costa: E eu sou o Rafael Costa. Hoje temos uma rodada densa pela frente, começando por um juiz norte-americano que considerou ilegal a inclusão da Anthropic na lista negra do Pentágono, além de decisões sobre o Cursor depois da aquisição pela SpaceX e novidades na plataforma de jogos Luanti.
Sofia Almeida: Também falamos de modelos de peso aberto com o GLM-5.3, de como um simples boato de bug já basta para encontrar uma exploração, e de uma discussão na corte sobre a Kalshi.
Rafael Costa: Sem esquecer das sanções aos ativistas italianos da Autistici, do novo cliente HTTPX2 para Python, e de um jeito de inicializar um iPhone virtual. Vamos a isso.
Sofia Almeida: O aplicativo Android do Luanti, a plataforma aberta de criação de jogos voxel, foi removido da Google Play Store depois de uma notificação DMCA apresentada pela Tracer.AI em nome da Microsoft. A notificação alega que o Luanti infringe os direitos autorais do Minecraft e cita o registro US Reg. TX 8-192-097, correspondente ao registro do Minecraft Java Edition 1.9 no escritório de direitos autorais dos Estados Unidos, alegando uso de ativos protegidos sem autorização e sem especificar quais. A equipe chama a alegação de infundada e afirma que o aplicativo não contém código nem ativos proprietários de nenhuma origem. Já enviou uma contra-notificação, mas o desfecho do recurso não foi relatado.
Rafael Costa: Essa não é a primeira notificação vinda dessa empresa. Ela já tinha enviado uma semelhante em 2023, revertida com sucesso após recurso, e, segundo a publicação, apresentou este ano outra contra o jogo indie Allumeria, de estilo voxel semelhante.
Sofia Almeida: Na defesa, o projeto lembra que o Luanti não acompanha jogos por padrão e que os ativos incluídos são originais e licenciados. O Minetest Game, antes empacotado, deixou de ser incluído em dezembro de 2023 e agora pode ser baixado dentro do próprio cliente. Os pacotes do catálogo ContentDB passam por revisão manual de voluntários, e o projeto estuda sinalização automatizada de ativos com hashing perceptual para auxiliar os moderadores, sempre com uma decisão humana final — implementação ainda não relatada.
Sofia Almeida: A OpenAI anunciou sua decisão sobre o Cursor depois que a ferramenta de edição de código foi adquirida pela SpaceX. Um comentarista considerou a medida compreensível, enquanto outro avaliou que, mesmo sem usar o Cursor, a situação parece ruim para a ferramenta. Esse mesmo comentarista também perguntou se existe um caminho para contornar a restrição usando diretamente os limites da OpenAI — pergunta que aparece nos comentários e cuja resposta não foi reportada pela fonte. A publicação não detalha o significado prático da decisão além do anúncio em si.
Sofia Almeida: Um juiz federal dos Estados Unidos decidiu que a inclusão da Anthropic na lista negra do Pentágono foi ilegal. Um dos comentaristas do Hacker News resumiu a sentença como direta, dizendo que as evidências apresentadas pelo governo eram, na prática, sem fundamento.
Rafael Costa: Outro comentário seguiu a mesma linha crítica, lamentando que essa seja uma ação típica de muitas desse tipo na administração atual. A decisão foi noticiada originalmente pela Reuters no fim de agosto.
Rafael Costa: A Z.ai liberou os pesos abertos do GLM-5.3 no Hugging Face sob a licença glm-5.3, usando a mesma base do GLM-5.2, com todos os ganhos vindos do pós-treinamento, segundo o card do modelo.
Sofia Almeida: A empresa afirma que é o modelo de pesos abertos mais capaz para código, com melhora de cinquenta por cento sobre o GLM-5.2 no benchmark interno Z.ai Code Bench e estado da arte em código aberto no Terminal Bench 3.0 e no Agents' Last Exam. No Terminal Bench 3.0, ele marca vinte e oito vírgula três, contra quatro vírgula seis do anterior.
Rafael Costa: A Z.ai relata também uma capacidade cibernética emergente que se desenvolveu mais rápido que o esperado com o pós-treinamento: estado da arte no CyberGym para descoberta de vulnerabilidades, com oitenta e quatro vírgula cinco contra setenta e sete vírgula dois do GLM-5.2, e ganhos maiores na cadeia de exploração, mais que dobrando o modelo anterior nos benchmarks de exploração. O modelo suporta execução local com Transformers, vLLM, SGLang e TokenSpeed.
Sofia Almeida: Na discussão do Hacker News, o scosman diz que vem usando o GLM-5.3 cada vez mais e que ele parece com o Opus 4.8 da melhor forma possível, no plano z.ai coder, tanto no opencode quanto por API direta. Quando perguntaram se isso o tornava melhor que o Opus 5, o matheusmoreira respondeu que praticamente qualquer coisa é melhor que o Opus 5.
Rafael Costa: Já o johnnyApplePRNG especulou que o Opus 4.8 é significativamente menor do que a maioria assume; se for bem maior que o GLM-5.3, com estimativas não confirmadas de mais de cinco trilhões de parâmetros, isso seria embaraçoso para a Anthropic.
Rafael Costa: Na mesma linha, o post do Hacker News tem um título provocador: só o boato de um bug já basta para encontrar um exploit hoje em dia. E o nickcw, mantenedor do rclone, diz que isso descreve exatamente a vida dele no momento.
Sofia Almeida: Nos primeiros dez anos do projeto rclone, eles receberam cerca de vinte divulgações de segurança pelo GitHub. Só no último mês foram mais de quarenta, o que consumiu uma quantidade enorme do tempo dele, mesmo usando ferramentas de IA para triagem e para preparar correções para revisão.
Rafael Costa: Mudando de assunto, um painel unânime do Nono Circuito dos EUA ficou do lado dos estados na disputa envolvendo a Kalshi, o que pode reavivar a ação penal do Arizona. O tribunal concluiu que as apostas esportivas não são protegidas pela lei federal que vinha sendo usada para bloquear o processo da procuradora-geral do Arizona, Kris Mayes.
Sofia Almeida: Na decisão, o juiz Ryan Nelson escreveu que o Congresso, ao alterar o Commodity Exchange Act, não usou uma bola de demolição contra toda a regulamentação de apostas esportivas construída ao longo de décadas pelos governos federal, estadual e tribal. Com um exemplo, o tribunal explicou a distinção: o fato de o Super Bowl acontecer é uma ocorrência, mas quem vence o jogo não é.
Rafael Costa: Na discussão, um comentarista levantou uma questão em aberto sobre o que a decisão significa para casos sob as loss recovery acts nos estados que as têm, e outro criticou a distinção entre ocorrência e resultado como uma forma de legislação judicial, dizendo que seria melhor declarar a lei nula por vagueza do que exigir que as pessoas adivinhem o significado das palavras.
Sofia Almeida: Houve ainda debate sobre tributação: um comentarista defendeu que o jogo é uma externalidade negativa que deveria ser taxada em quarenta a cinquenta por cento da receita bruta, algo comparável ao tabaco, com restrições de publicidade voltada a crianças e pessoas em risco e regulação contra padrões obscuros. Outro respondeu que tributar o vício funciona no papel, mas os efeitos de segunda ordem, como anúncios constantes de álcool e padrões obscuros, complicam o quadro.
Sofia Almeida: Os Estados Unidos sancionaram o coletivo italiano Autistici/Inventati, que hospeda o noblogs.org, e o governo norte-americano o designou como terrorista global, segundo reportagens anteriores citadas na discussão. O grupo nasceu em 2001, a partir de um encontro de indivíduos e coletivos do movimento anticapitalista autônomo, e mantém uma página de boas-vindas afirmando que oferece plataforma e ferramentas de autodefesa digital para a comunicação livre de ativistas. Todos os serviços são gratuitos, sem controle ou mercantilização dos dados pessoais, com financiamento dependente apenas de doações voluntárias, uso estritamente não comercial e cada pedido de conta processado manualmente por um voluntário, em forma dialógica, com todos os pedidos anonimizados e depois destruídos.
Rafael Costa: Na discussão, um comentarista contou que clicou na página, leu o manifesto e ainda assim não entendeu o que o grupo faz, notando que vários links não funcionam e que o manifesto parece ter sido atualizado para refletir opiniões de 2026. Outros explicaram que o coletivo hospeda blogs e e-mail usados por muitos ativistas, incluindo o noblogs, utilizado por grupos anarquistas, antifascistas e anti-imperialistas, e oferece ainda contas de e-mail, listas de discussão, blogs, sites, chat e acesso a VPN. Um comentarista citou a página Sobre, que diz que o grupo nasceu há mais de vinte anos para dar suporte de internet a ativistas e coletivos.
Sofia Almeida: A OpenAI publicou um documento sobre a migração para o HTTPX2, e, em paralelo, a comunidade do Hacker News discutiu o projeto HTTPX2, descrito como um cliente HTTP de próxima geração para Python. Na discussão da OpenAI, um comentarista observou que agora é usado o repositório de certificados de confiança do sistema operacional, em vez do certifi. Quando outro usuário perguntou o que significava a sigla nb, a resposta foi que é a abreviação de nota bene.
Rafael Costa: Um comentarista disse que preferia que o projeto tivesse outro nome, como httpx-ng ou httpy.
Sofia Almeida: Um projeto de interface de linha de comando permite inicializar um iPhone virtual usando o framework de virtualização da Apple. Na discussão, alguém perguntou o que é PCC, e outro comentarista explicou que é Private Cloud Compute, lembrando que no WWDC a Apple anunciou que, a partir das versões 27.x do iOS e do macOS, os desenvolvedores poderiam chamar o Private Cloud Compute diretamente.
Sofia Almeida: Vamos aos pequenos reatores modulares, os SMRs. Um artigo do repórter Neil Savage publicado na Nature em agosto de 2026 defende que eles podem gerar até trezentos megawatts elétricos, o suficiente para cerca de trezentas mil casas, contra os cerca de mil megawatts de um reator de água leve convencional — e que deveriam sair mais baratos e mais fáceis de construir.
Rafael Costa: O engenheiro nuclear Jacopo Buongiorno, do MIT, compara essa modularidade a blocos de montar: grandes porções do sistema são fabricadas na fábrica e enviadas ao local só para a montagem. Mas o histórico americano mostra que é um caminho longo. O primeiro reator comercial dos Estados Unidos no século vinte e um só entrou em operação em 2016, a Unidade 2 de Watts Bar, no Tennessee, duas décadas depois da Unidade 1. E dois reatores começaram a operar perto de Baxley, na Geórgia, em 2023 e 2024.
Sofia Almeida: O financiamento veio em camadas. Em março de 2025, o Departamento de Energia americano anunciou novecentos milhões de dólares em subsídios para apoiar a implementação dos SMRs; um ano depois, a Comissão Europeia disse que investiria até duzentos milhões de euros, cerca de duzentos e vinte e oito milhões de dólares.
Rafael Costa: De todo modo, o físico Edward Lyman, da Union of Concerned Scientists, contesta justamente a conta econômica: os SMRs não são necessariamente mais baratos, as fábricas precisariam produzir dezenas de unidades para se tornarem mais vantajosas que os reatores convencionais, e alguns projetos podem até ser mais perigosos por causa dos combustíveis e refrigerantes diferentes. Enquanto isso, a Kairos Power segue com planos concretos: está construindo o reator de teste Hermes 1 em Oak Ridge, Tennessee, e começou em abril a construção da planta de demonstração Hermes 2.
Rafael Costa: Mudando de assunto, em agosto de 2026 Charalampos Kardaris publicou no blog dele um texto defendendo que as interfaces gráficas deveriam ser totalmente dirigidas por teclado, respondendo a um post do Hacker News que pedia aos desenvolvedores para largarem os programas de terminal e focarem nas GUIs. Ele vê mérito nos dois lados: entende os argumentos a favor das GUIs, cujos frameworks em teoria têm capacidades que são um superconjunto das contrapartes de terminal, e, como usuário pesado de terminal, valoriza as TUIs que permitem ficar nele.
Sofia Almeida: Mas o que ele contesta é a ideia de que as TUIs deveriam ser preferidas por serem dirigidas por teclado. Na visão dele, se uma TUI escolhida aleatoriamente tem mais chance de ser totalmente controlada pelo teclado do que uma GUI aleatória, isso só expõe deficiências na navegação por teclado das interfaces gráficas — nada impede uma GUI de ser totalmente operada assim. Ele cita as diretrizes de interface humana do GNOME, segundo as quais toda ação possível com um dispositivo apontador também deve ser possível com o teclado, e deve dar para percorrer e interagir com toda a interface só com ele. E relata que no seu primeiro aplicativo GUI, o Klisi, implementou atalhos cobrindo toda a gama de ações disponíveis.
Rafael Costa: A conclusão dele é que navegação por teclado não é difícil na maioria dos casos e resulta em melhor experiência do usuário — é questão de vontade do desenvolvedor, não de viabilidade. Ele só reconhece, em nota de rodapé, que a destreça obtida com o mouse continua preferida, ou até mesmo necessária, para algumas tarefas.
Rafael Costa: Sobre o post sobre o aplicativo que "funciona melhor", um comentário destacado no Hacker News levantou um ponto interessante. Segundo o autor, a área virou muito sobre fazer as partes fáceis e visíveis, ganhar um mês de atenção e talvez uma promoção, e depois pular para o próximo projeto novo.
Sofia Almeida: Isso ecoa o que a gente comentava sobre quem realmente sustenta o produto: as pessoas que ficam para trás e fazem esses aplicativos meio prontos funcionarem direito, mantêm-nos e lidam com todos os problemas chatos.
Rafael Costa: Essa discussão no Hacker News sobre a Lista de Reis Sumérios chamou a atenção por um motivo bem específico: o autor construiu uma ferramenta que cruza as antigas listas de governantes com eventos de paleoclima, procurando alinhamentos entre mudanças no clima e as transições dinásticas registradas.
Sofia Almeida: Hum, e o ponto que destacaram é justamente a honestidade metodológica dele. Em vez de forçar os dados para encaixar num resultado, quem comentou elogia como ele explica que mesmo os alinhamentos aparentes podem ser mera coincidência. Isso é o oposto do viés de confirmação típico desse tipo de análise histórica.
Rafael Costa: Exato. Não é um texto que vende a teoria como provada — ele deixa explícito que um suposto encaixe entre um evento climático e uma mudança de dinastia não prova causalidade, e que vários fatores podem gerar aquela coincidência numérica. O trabalho de testar a hipótese está lá, mas com a fronteira do que é evidência bem delimitada.
Sofia Almeida: Encerramos com o tribunal derrubando a lista negra do Pentágono contra a Anthropic e a OpenAI explicando sua decisão sobre o Cursor após a aquisição pela SpaceX.
Rafael Costa: Obrigado por acompanhar. Foi um episódio cheio de reviravoltas — até a próxima.